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A DITA CUJA: TEXTOS FEMININOS
Nudez
É na sombra da noite
Sob a fresta estreita
De um pequeno feixe de luz
De um toco de vela aceso
Pra queimar o que não deveria ter sido
É nessa penumbra de fronte ao espelho
Do meu quarto sagrado
Que me vejo assim como sou
Nua, sem as vestimentas que me caracterizam
Dia a dia
Sem as vestimentas
Da alegria, da tristeza, das palavras demasiadas vãs
Que teimam em não me calar
É nesse espelho que me vejo ego
Infiel a tudo aquilo que seria realmente de mim mesma
É nessa mesma penumbra
Sob um quase nada de luzinha
Que consigo ver brilhar
Aquela que sou e que ainda ei de ser
Aquela que de mim não se desprende e nem se liberta
Aquela que faz brilhar a chama
Ainda que pequena
Do que restou de um olhar inocente
Aquela que me faz sentir... apenas
De quem pouco provo o sabor
Mas que de tão doce jamais me escapa a sensação deliciosa
Ainda que muito breve
Aquela que de mim
De nós
De lá
De longe
Foi, é e sempre será
Minha essência.
Fernanda Maria
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