top of page

​

“NEM TODA FEITICEIRA É CORCUNDA”

 

           

Fui adolescente na virada do milênio.

 Bruxas estavam na moda e muito se falava sobre a Wicca, religião de origem nórdica pautada na crença em magia. Nela, bruxas modernas invocam os antigos poderes das cores, dos elementais, das ervas e dos cristais.   Uma colega da escola propagava-se uma dessas feiticeiras, ao estilo de "Jovens Bruxas", filme de sucesso na época. O misticismo andava em voga e encontrava no espírito sombrio da adolescência um solo fértil para florescer. Cheguei mesmo a ser parte de um grupo de amigas que buscava iniciar-se nas tais práticas de bruxaria.

As belas bruxas do cinema sempre me seduziram. Ainda paro para assistir a filmes como "Da magia à sedução". E Juliette Binoche continua a me intrigar sempre que revejo "Chocolate". Por diversas razões, sempre adotei gatos pretos e até hoje conservo uma coleção de pedras e cristais no que poderia ser algum tipo de altar místico em minha casa. De vez em quando, ainda me banho com ervas ou flores; varro o chão pensando afastar energias maléficas e preparo chás para as amigas com o prazer de quem manipula, no caldeirão, os ingredientes de uma poção mágica. 

            Mesmo sabendo que tudo isso é parte de um império cultural norte americano, não deixo de pensar na bruxaria como uma metáfora do poder feminino. Acredito até que todas nós temos um pouco de bruxas, conservando oculto o nosso poder, convivendo ainda com o fantasma da inquisição, temendo ser jogadas na fogueira de uma sociedade que continua a nos oprimir. Diferente da diáfana e etérea fada, a imagem da bruxa contemporânea é dotada de sensualidade e personalidade marcantes. Livre, por vezes libertina, e de feminilidade íntima à natureza dos seres e da Mãe Terra. Cá pra nós, as bruxas são bem mais interessantes.

 

                                                                               Aline Lopes

                                                                08 de agosto de 2015

*Aline S. Lopes

Educadora da área de Letras, pesquisadora de Literaturas Africanas e tutora de dois cãezinhos idosos. Além de escrever e fazer miçangas, sou esotérica nas horas vagas. Como boa aquariana, sonho com um futuro em que eu possa ser presente.

NEM TODA FEITICEIRA.jpeg

© 2017 por A Dita Cuja: Textos Femininos. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page