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Amigo meu

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    Penso que aqueles que eu reconheço como amigo,  têm, talvez, uma história e identidade que em algum momento se assemelham com as minhas (história e identidade). E não vem a ser uma segregação como forma de discriminação, o movimento que me distancia daqueles que não defino como amigo.É o sentimento de pertencimento  que elege os meus amigos na condição de "amigo meu". De sentir que os amigos, vivem em um lugar comum. Pois em alguns espaços, em muitos espaços, eu diria, eu não me sinto pertencer. Nesses espaços, onde não me sinto pertencer, tento praticar o exercício de ser e me fazer perceber,  eu e o universo de mim mesma. Ter amigos é reforçar ou descobrir a natureza nossa.

  E, de certa forma, admirar meus amigos é um pouco  me admirar também.  Pois amigo, acho, que é como o espelho, que reflete um pouco quem  somos. E fazer parte de um grupo de amigos como os meus, é  fortalecer uma rede humana (sem colocar em questão o bem e o mal, mas a essência e a ideia) de exceção  em uma sociedade por mim ainda não traduzida. Enfim, creio que ter amigos, no meu caso, é preservar (assim como meus filhos perpetuam meus genes)  um tipo humano de pessoinhas um tanto raras, e um tanto incomuns, até onde meus olhos alcançam enxergar.

 

*Lesley Dominiscki Luz . 45 anos. Formada em biologia, professora da rede estadual de ensino. Mãe. Caiçara. Amante da vida e da arte...

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